Qual é a finalidade da nossa vida humana? O que eu faço neste mundo? Que mundo é este? Quem sou eu e quem são os outros que se cruzam comigo?
Estas e muitas outras perguntas nos assolam em algumas alturas da vida e muitas vezes logo nos nossos primeiros anos. Há em todos nós uma vontade de compreender quem somos, em entender o que nossos sentidos percebem e surgem perguntas sem fim e isso faz de nós seres especiais e de cada um algo único!
Para nos moldar temos nossos pais, nossa família e amigos, nossa escola, nossos modelos e tanta informação cruzada é disparada por vezes violentamente contra nossa mente que vai perdendo a sede a necessidade de descobrir e de perguntar. As nossas referências e os nossos mestres e fontes vão solidificando dentro do nosso ser algumas certezas e essas certezas vão atraindo outras perguntas e outras respostas até parecer que pouco espaço existe para questionarmos tudo de novo e medirmos do zero tudo de novo.
Quando eu tinha 7 ou 8 anos eu lembro-me de olhar as estrelas da janela do meu quarto e perguntar quem estaria além delas, se alguém lá longe me via e se havia alguma consciência fora de mim que percebesse a minha. As noites quentes e insonizantes de Verão eram terreno fértil para esses serões a sós comigo mesmo. Há uma paz quando estamos sozinhos e sentimos que podemos pensar em qualquer coisa e ninguém nos recriminará. Ainda hoje gosto de uma bela hora de solidão para me perguntar tudo e colocar todas as minhas certezas em interrogação.
Creio que o que nos distingue dos animais é a consciência de algo transcendente, o sentimento religioso e místico ou a indagação sobre o que de maior existirá fora ou para além de nós. O Ser Humano é uma criatura religiosa que opera tudo na base da sua crença e dos seus conhecimentos prévios faz decisões criticas para o curso da sua existência.
Neste ponto, se partirmos do pressuposto que não nos criamos a nós mesmos, que somos a causa de outros que já andavam por aí, temos uma vontade nobre de estarmos à altura das expectativas e agradarmos ou correspondermos às expectativas dos outros de nós. Depois e apesar disso, temos uma força muito própria, uma vontade só nossa, um desejo muito íntimo que por vezes choca com todos e nos põe em conflito. A desarmonia exige algo superior a tudo e todos, a satisfação plena não pode se limitar a algo tão pequeno e limitado. Queremos mais, desejamos ser ouvidos por algo muito maior, estamos inconformados até mesmo connosco mesmos! Apelamos e ansiamos por Deus.
A nossa finalidade, caso haja alguém responsável pelo milagre da nossa individual existência, não pode ser menos do que viver para a glória e o prazer de um Ser Maravilhoso que nos criou de forma tão especial. O gozo que podemos sentir ao elevar os nossos pensamentos até Ele é inigualável. Queremos a eternidade, sabendo que os nossos dias estão contados e são finitos.
Um homem chamado Paulo escrevia assim a uns tantos irmãos neste caminho de fé que viviam na grande capital romana "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente", expressando que de onde tudo provém, tudo também merece.
